11 de Fevereiro de 1976
Querida Malu,
Aqui noite vai alta e faz frio. Do parapeito da janela frontal, pode ouvir-se ainda alguns murmúrios longínquos, algures na praça grande, onde se aglomeram noite dentro os boémios desregrados desta cidade.
Já passou uma semana e não sei se o objectivo que aqui me trouxe será alcançado. O descanso é merecido, é verdade, mas apenas o meu corpo descansa, pois minha alma deambula por tudo que é canto procurando um indício familiar que nos transporte para o calor humano que aí deixei.
Tive de partir. Não mais suportaria a distância que nos separa, as recordações que tenho de ti serão eternas, mas os toques, os abraços, os beijos, não passam há muito disso mesmo, recordações, memórias.
Juramos amizade eterna e pela minha parte será, juramos encontros diários e nenhuma das partes cumpriu. De quem é a culpa? Minha? Tua? Não sei… a distância é um argumento fácil e humilhante de mais para o aceitar, mas na verdade é o mais lógico.
Veneza é uma cidade resplandecente, cada canto transborda ocultismo, arte, beleza… Já andei de gôndola, passeei horas a fio recostada na pequena banca nela existente e recostada na saudade que mora em mim. Comprei algumas pinturas que vais adorar, tu que amas tudo quanto incide com esta arte. Oferecer-te-ei as que quiseres porque na verdade foram compradas pensando em ti.
Amo-te como uma irmã ama outra querida e apesar da distância estúpida que nos separa, eu sei que tu sabes disso e sei também que o sentimento é recíproco.
Apesar de longe (mas perto no coração) sabes que se precisares de algo eu correrei o mais veloz possível em teu auxílio, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte.
Sabes tão bem como eu, que por vezes o cansaço e os problemas da vida nos enfraquecem os movimentos, mas estou ciente que nunca o coração.
O San Clement Palace Hotel foi uma óptima escolha. A lareira é enorme como eu gosto e o quarto é acolhedor com um toque requintado de ouro.
Não ficarei para o Carnaval, sabes que fujo desses dias como o diabo foge da cruz. Não suporto. É pena, aqui o carnaval, dizem os entendidos, é genuíno. Parto amanhã, pelas 15h00.
Já esvaziei a minha alma e é tempo de beber o “Green Tea” (como dirias tu) que fumega auspiciosamente ali na mesinha, junto á lareira.
Querida Malu,
Aqui noite vai alta e faz frio. Do parapeito da janela frontal, pode ouvir-se ainda alguns murmúrios longínquos, algures na praça grande, onde se aglomeram noite dentro os boémios desregrados desta cidade.
Já passou uma semana e não sei se o objectivo que aqui me trouxe será alcançado. O descanso é merecido, é verdade, mas apenas o meu corpo descansa, pois minha alma deambula por tudo que é canto procurando um indício familiar que nos transporte para o calor humano que aí deixei.
Tive de partir. Não mais suportaria a distância que nos separa, as recordações que tenho de ti serão eternas, mas os toques, os abraços, os beijos, não passam há muito disso mesmo, recordações, memórias.
Juramos amizade eterna e pela minha parte será, juramos encontros diários e nenhuma das partes cumpriu. De quem é a culpa? Minha? Tua? Não sei… a distância é um argumento fácil e humilhante de mais para o aceitar, mas na verdade é o mais lógico.
Veneza é uma cidade resplandecente, cada canto transborda ocultismo, arte, beleza… Já andei de gôndola, passeei horas a fio recostada na pequena banca nela existente e recostada na saudade que mora em mim. Comprei algumas pinturas que vais adorar, tu que amas tudo quanto incide com esta arte. Oferecer-te-ei as que quiseres porque na verdade foram compradas pensando em ti.
Amo-te como uma irmã ama outra querida e apesar da distância estúpida que nos separa, eu sei que tu sabes disso e sei também que o sentimento é recíproco.
Apesar de longe (mas perto no coração) sabes que se precisares de algo eu correrei o mais veloz possível em teu auxílio, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte.
Sabes tão bem como eu, que por vezes o cansaço e os problemas da vida nos enfraquecem os movimentos, mas estou ciente que nunca o coração.
O San Clement Palace Hotel foi uma óptima escolha. A lareira é enorme como eu gosto e o quarto é acolhedor com um toque requintado de ouro.
Não ficarei para o Carnaval, sabes que fujo desses dias como o diabo foge da cruz. Não suporto. É pena, aqui o carnaval, dizem os entendidos, é genuíno. Parto amanhã, pelas 15h00.
Já esvaziei a minha alma e é tempo de beber o “Green Tea” (como dirias tu) que fumega auspiciosamente ali na mesinha, junto á lareira.
Mil Beijinhos
Principessa
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